Espécie invasora provoca prejuízos, ameaça a fauna e preocupa setor agropecuário
A expansão descontrolada da população de javalis tem se consolidado como um dos principais desafios para o agronegócio de Santa Catarina. Considerada uma espécie exótica invasora, ela provoca prejuízos em lavouras, coloca em risco a fauna nativa e representa uma ameaça à segurança de trabalhadores rurais.
Além dos danos materiais, são frequentes os relatos de ataques e perseguições a pessoas, bem como de cães mortos durante ações de controle. Machos adultos podem atingir até 200 quilos e apresentam comportamento agressivo quando se sentem ameaçados.
Mais de 200 mil animais estariam espalhados pelo estado
Estimativas apontam que mais de 200 mil javalis estejam distribuídos em 236 municípios catarinenses, o equivalente a cerca de 80% das cidades do estado.
A maior concentração ocorre nas regiões da Serra, Meio-Oeste e Oeste, com registros expressivos em municípios como Lages, Campos Novos, Capão Alto, São Joaquim, Campo Belo do Sul, Água Doce, Bom Jardim da Serra e na região do Parque Nacional das Araucárias, entre Ponte Serrada e Passos Maia.
Com a redução da oferta de alimento nas áreas de mata, grupos com até 50 animais têm invadido propriedades rurais, áreas urbanas e até rodovias.
Prejuízos afetam produção agrícola e pecuária
Os impactos atingem culturas como milho, feijão, soja, trigo, hortaliças e pastagens, além de criatórios de aves e suínos. Em apenas uma noite, os animais podem destruir grandes áreas de produção.
O avanço da espécie é agravado pela alta capacidade de reprodução. As fêmeas podem gerar, em média, duas ninhadas por ano, com cerca de oito filhotes cada. Além disso, o cruzamento com porcos domésticos dá origem aos chamados javaporcos, dificultando ainda mais o controle da população.
Risco sanitário preocupa cadeia produtiva
Especialistas alertam que os javalis também representam um risco sanitário por poderem transmitir doenças como peste suína africana, peste suína clássica e febre aftosa.
Santa Catarina lidera a produção e exportação de carne suína no Brasil e mantém, desde 2007, o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica. Uma eventual contaminação dos rebanhos comerciais poderia gerar impactos significativos para produtores, agroindústrias e para a economia estadual.
Manejo é autorizado, mas enfrenta desafios
Entre 2019 e 2024, mais de 120 mil javalis foram abatidos em Santa Catarina. No entanto, segundo entidades do setor, a medida ainda não foi suficiente para reduzir de forma significativa a população da espécie.
O manejo é permitido por lei, mas depende de controladores autorizados, equipes capacitadas e do cumprimento das normas vigentes. A Lei Estadual nº 18.817/2023 regulamenta o controle populacional e o manejo sustentável do javali (Sus scrofa) e de seus híbridos.
Representantes do setor agropecuário defendem a ampliação das ações de controle, a desburocratização dos procedimentos e a atuação integrada entre órgãos públicos e produtores para enfrentar o avanço da espécie no estado.








