Artista marcou a história do axé music no Brasil
O cantor Netinho, nome artístico de Ernesto de Souza Andrade Júnior, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos. Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, ele se tornou um dos grandes nomes do axé music, especialmente pelo sucesso de “Milla”, canção que marcou os anos 1990 e conquistou diferentes gerações.
A morte foi confirmada pela equipe do artista por meio das redes sociais. Segundo o comunicado, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, informou a equipe.
Despedida será reservada à família e aos amigos
Na nota, os representantes destacaram a trajetória artística do cantor, lembrando seu talento, carisma e a maneira especial de se conectar com o público.
“Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível”, diz outro trecho do comunicado.
A equipe também compartilhou palavras que o próprio artista costumava dizer durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”.
Por desejo do cantor, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos. Além disso, a equipe pediu respeito à privacidade dos entes queridos neste momento de despedida.
Cantor enfrentava um linfoma desde 2025
Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma em fevereiro de 2025, após sentir dores nas costas e dificuldades para caminhar. Na ocasião, foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, para iniciar o acompanhamento médico.
Durante o tratamento, o cantor manteve contato com os fãs pelas redes sociais e relatou parte da rotina de cuidados. Em uma das publicações, contou que havia recebido 128 injeções na barriga, referentes à aplicação subcutânea de medicamentos.
Apesar dos desafios, ele demonstrava otimismo. “Estou no finalzinho da 4ª temporada. Tudo indo maravilhosamente bem por aqui como Deus quer”, escreveu em uma postagem.
Após receber alta hospitalar, Netinho deu continuidade ao tratamento e retomou gradualmente os compromissos profissionais. Entretanto, em 2026, revelou que a doença havia retornado e que precisaria passar novamente por sessões de quimioterapia.
No dia 30 de setembro de 2026, a equipe informou que o artista havia sido internado novamente no Hospital Aliança Star em razão da recidiva do linfoma não Hodgkin.
Carreira começou em bares de Salvador
Antes de alcançar o sucesso nacional, Netinho iniciou sua trajetória musical em bares de Salvador, onde interpretava canções da MPB e da bossa nova. Em 1988, assumiu os vocais da Banda Beijo, etapa importante para sua projeção no cenário musical.
Com o grupo, participou da popularização do axé music pelo país, emplacando músicas como “Beijo na Boca” e “O Arrastão”.
A carreira solo começou em 1993 e consolidou sua posição entre os grandes artistas do gênero. O álbum Um Beijo pra Você vendeu mais de um milhão de cópias e apresentou ao público o sucesso “Milla”.
A música alcançou as primeiras posições nas paradas brasileiras e portuguesas e se transformou em um dos grandes símbolos musicais da década, permanecendo presente em festas e carnavais.
“O sucesso de ‘Milla’ me surpreendeu. Era uma música leve, solar, e acho que isso tocou as pessoas”, declarou o cantor em entrevistas anteriores.
Artista também levou o axé para o exterior
Além do sucesso comercial, Netinho teve participação importante na expansão do axé para além do Brasil. Em 1990, tornou-se o primeiro brasileiro a levar um trio elétrico ao exterior, durante a Copa do Mundo da Itália.
Dois anos depois, voltou a inovar ao desfilar com um trio elétrico pela Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em uma iniciativa inédita para a época.
Problemas de saúde marcaram últimos anos
A partir de 2013, o cantor enfrentou graves complicações de saúde, associadas ao uso de anabolizantes, conforme relatado à época. O período foi marcado por internações prolongadas, cirurgias e afastamento da rotina profissional.
Ao relembrar aquela fase, Netinho descreveu a experiência como um recomeço. “Achei que fosse morrer. Mas ali comecei tudo de novo, como homem e como artista”, afirmou em entrevista.
Nos anos seguintes, suas publicações nas redes sociais também provocaram debates por declarações polêmicas e posicionamentos políticos, que dividiram opiniões entre fãs e seguidores.
Apesar dos momentos difíceis, Netinho construiu uma trajetória marcada pela inovação, pelo carisma e pela proximidade com o público. Com sua morte, deixa uma contribuição importante para a música brasileira e para a história do axé, além de canções que continuam presentes na memória de quem cresceu ao som de “Milla”.









