Júri reconhece crime cruel cometido em fevereiro, contra xanxerense, e determina pena máxima
O autor do feminicídio registrado em 22 de fevereiro de 2025 foi condenado nesta quarta-feira (12) a 69 anos, 2 meses e 12 dias de prisão, além de 13 dias-multa. A sentença saiu após um julgamento detalhado que, afinal, analisou todos os passos do crime que tirou a vida de uma jovem de 25 anos, natural de Xanxerê, que deixa um filho de 10 anos. Ademais, o júri concluiu que o réu agiu com extrema violência, descumpriu medida protetiva e utilizou um recurso que impossibilitou qualquer chance de defesa.
Relação terminou no início de fevereiro, mas ameaças começaram dias depois
Conforme a investigação, a vítima conviveu com o agressor por cerca de três anos. No dia 4 de fevereiro, ela decidiu encerrar o relacionamento. Contudo, o autor não aceitou a separação e passou a ameaçar a ex-companheira já no dia 7. A vítima procurou a Polícia Civil em 18 de fevereiro, registrou boletim de ocorrência e solicitou medidas protetivas. Logo, naquele mesmo dia, saiu a ordem judicial que impedia o homem de se aproximar dela.
Surpreendentemente, a vítima avisou os vizinhos no grupo do condomínio sobre o risco, pois temia que o agressor tentasse se aproximar. Ela pediu que ninguém permitisse sua entrada no prédio, justamente para evitar qualquer situação inesperada.

Invasão, sequestro e emboscada: crime ocorreu em menos de dois minutos
Sobrinhas foram sequestradas para atrair a vítima ao apartamento
Na noite de 22 de fevereiro, entretanto, o autor escalou o toldo do portão do edifício e invadiu o apartamento localizado no segundo andar. Enquanto isso, sob ameaças com arma de fogo, ele sequestrou as duas sobrinhas da vítima — meninas de 3 e 10 anos — e as trancou em um quarto. Posteriormente, obrigou a mais velha a enviar uma mensagem pedindo que a tia retornasse ao local.
A vítima, acreditando que a mensagem partia da sobrinha, entrou no prédio às 22h42. Similarmente ao que mostram as câmeras, ela não desconfiou de nada. Pouco depois, ao entrar no apartamento, foi surpreendida e recebeu ao menos quatro disparos, um no rosto e os demais no tórax. Assim, em pouco mais de um minuto entre a entrada no prédio e a fuga do réu, o crime brutal foi consumado.
Buscas mobilizaram equipes por 37 horas até a prisão
Após matar a ex-companheira, o agressor fugiu sentido Xanxerê. As buscas duraram 37 horas e envolveram equipes do Departamento de Investigação Criminal de Chapecó, policiais civis de Xanxerê e Xaxim e suporte aéreo do SAER. Eventualmente, no dia 24 de fevereiro, por volta do meio-dia, ele foi localizado em área rural conhecida como Peral dos Rosas, onde acabou preso.
Crimes reconhecidos pelo Tribunal do Júri
Feminicídio, cárcere privado e porte ilegal de arma
O Tribunal do Júri reconheceu o réu como culpado pelos seguintes crimes:
- feminicídio qualificado por motivo torpe;
- descumprimento de medida protetiva;
- recurso que impossibilitou a defesa da vítima;
- dois cárceres privados com grave sofrimento moral;
- porte ilegal de arma de fogo.
Portanto, devido à gravidade, o réu cumprirá pena em regime inicialmente fechado.





