Documento permaneceu oculto desde 1965 em móvel religioso de Santa Catarina
Uma carta escrita em 1965 e escondida no interior de um confessionário foi descoberta apenas 42 anos depois, revelando detalhes da história e do cotidiano da época em Palma Sola, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
O documento, datado de 24 de junho de 1965, permaneceu oculto até 2007, quando o confessionário retornou ao município para integrar o acervo do Museu da Colonização.
Mensagem foi deixada pelo marceneiro que construiu a peça
A carta foi ditada pelo marceneiro João Feix e escrita por sua filha, Alice. Na ocasião, ele confeccionava o confessionário para a Igreja Matriz de Anchieta, a pedido do então vigário, padre Martinho Burger.
Antes da entrega da peça, João decidiu esconder uma mensagem em seu interior, imaginando que, algum dia, alguém a encontraria.
No texto, ele registrou informações sobre o período, citando o presidente da República, Castelo Branco, o governador de Santa Catarina, Celso Ramos, o primeiro prefeito eleito de Palma Sola, Libório Romildo Kuhn, além do papa Paulo VI e do bispo da Diocese de Chapecó.
Relato preserva detalhes do cotidiano da época
Além das autoridades, o marceneiro descreveu aspectos da vida em 1965. Na carta, ele mencionou as moedas em circulação no Brasil, fez referência ao dólar, ao marco alemão e à libra inglesa, além de registrar o valor do salário mínimo e o pagamento diário de um trabalhador.
O trecho final da mensagem chama a atenção pela simplicidade e pelo tom pessoal. Aos 60 anos, João Feix escreveu: “Já sou tão velho, com 60 anos, e ainda tenho que fazer confessionário. Muitas felicidades para todos. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.”
Carta integra acervo do Museu da Colonização
Segundo o Museu da Colonização, a carta foi encontrada durante a desmontagem do confessionário, em 2007, quando a peça foi emprestada pela comunidade de Anchieta para integrar o acervo da instituição.
Desde então, o documento permanece exposto ao lado do confessionário e é considerado uma das peças mais simbólicas do museu, funcionando como uma verdadeira cápsula do tempo da história de Palma Sola.
O museu também preserva outros documentos históricos, como a primeira certidão de casamento registrada no município e um mapa da década de 1940 que já indicava a formação de cidades da região.
Embora o confessionário deva ser devolvido à comunidade de Anchieta, conforme solicitado, a carta continua sendo um dos registros mais valiosos da memória local.






