Paixão de infância virou profissão e já resultou em mais de 100 peças produzidas
Paciência, dedicação e atenção aos mínimos detalhes fazem parte da rotina de Janete Novello, de 55 anos, moradora de Xanxerê. Há quase três anos, ela se dedica à criação de bebês reborn, bonecas hiper-realistas produzidas artesanalmente, desde a pintura da pele até o implante dos cabelos fio a fio.
O trabalho começou a partir de um desejo pessoal. Apaixonada por bonecas desde a infância, Janete decidiu aprender a técnica depois de ganhar do marido uma boneca de silicone sólido.
“Eu sempre gostei de bonecas e falei para ele que gostaria de ter mais uma, com os membros de vinil e corpinho de pano. Foi aí que surgiu a ideia de fazer um curso e produzir uma para mim”, relembra.
Produção artesanal exige dias de trabalho
Com o passar do tempo, o interesse se transformou em especialização. Janete realizou cursos com profissionais da área e continuou investindo em aperfeiçoamento, especialmente na confecção de modelos em silicone sólido.
Atualmente, ela trabalha sozinha em seu ateliê, localizado no interior de Xanxerê, onde produz três tipos de bebês reborn: modelos de vinil com corpinho de pano, totalmente em vinil e os de silicone sólido, que podem tomar banho, mamar e até fazer xixi.
O tempo de produção varia de acordo com o modelo. Enquanto os bebês de vinil levam entre três e quatro dias para ficarem prontos, os de silicone sólido podem exigir até uma semana de trabalho, principalmente porque a pintura depende de condições adequadas de secagem e baixa umidade.
Cada detalhe busca reproduzir um bebê de verdade
O processo começa com a lavagem e secagem do kit. Em seguida, é realizada a pintura que reproduz tonalidades da pele, pequenas manchas, microveias e a textura típica de recém-nascidos.
Depois, os cabelos são implantados fio a fio, utilizando fibra sintética ou mohair de angorá. Na sequência, são colocados olhos, cílios e sobrancelhas. Por fim, o corpinho recebe peso e enchimento para reproduzir a sensação de segurar um bebê real.
“Quando é cortado o último lacre, a gente diz que nasceu o bebê”, explica Janete.
Segundo ela, a etapa favorita é a finalização. “A parte que eu mais gosto é na hora de vestir. É aí que você vê como ele ficou lindo e perfeito.”
Colecionadores também estão entre os clientes
Embora tenha começado produzindo uma boneca para si mesma, Janete estima já ter confeccionado mais de 100 bebês reborn ao longo dos últimos anos.
Além das encomendas personalizadas, o ateliê mantém peças à pronta entrega. Frequentemente, visitantes se encantam pelos modelos expostos e decidem levá-los para casa.
De acordo com a artesã, apesar de muitas compras serem destinadas a crianças, uma parcela significativa dos clientes é formada por adultos e colecionadores.
“Da mesma forma que algumas pessoas colecionam carrinhos antigos, existem pessoas que colecionam bebês reborn e bonecas de porcelana. Não existe idade para gostar de bonecas.”
Recordações e sonhos realizados
Janete também produz modelos inspirados em crianças reais, recriando características físicas solicitadas pelas famílias. Em muitos casos, as peças representam memórias afetivas e a realização de sonhos antigos.
“Tem pessoas que não tiveram bonecas na infância e hoje realizam esse sonho. Outras pedem um bebê parecido com o filho quando era pequeno para guardar como recordação”, destaca.







