Engenheiro atua há anos no setor de pequenas hidrelétricas e afirma manter parceria com povos Kaingang e Guarani
A Festa dos Povos Indígenas de Ipuaçu também reuniu representantes ligados ao setor de geração de energia. Entre os participantes esteve Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni, engenheiro eletricista e empresário com trajetória dedicada ao desenvolvimento de projetos de geração hidrelétrica.
Pugnaloni é fundador da Enercons, empresa especializada em projetos e consultoria na área de energia, e teve participação na criação da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (ABRAPCH), da qual foi o primeiro presidente.
Sua atuação profissional também possui relação com o Oeste catarinense, onde foi responsável técnico e pelos estudos energéticos de um projeto de PCH no rio Chapecó, em Nova Erechim.
Relação com povos Kaingang e Guarani
Durante entrevista à TV Xanxerê, Pugnaloni explicou que sua presença em Ipuaçu está relacionada também à relação construída ao longo dos anos com comunidades indígenas.
“Estamos há 16 anos trabalhando em conjunto com os povos Kaingang e Guarani para construirmos usinas hidrelétricas ao longo do rio Chapecó e do rio Chapecozinho”, afirmou.
Segundo ele, os projetos mencionados envolvem diferentes modelos de pequenas centrais hidrelétricas, incluindo empreendimentos com e sem barramento. O engenheiro destacou ainda a utilização de estruturas destinadas à passagem de peixes nos projetos com barramento.
Para Pugnaloni, a geração de energia precisa ser conciliada com a preservação ambiental e com a participação das comunidades que vivem nas áreas relacionadas aos empreendimentos.
“A energia elétrica todo mundo precisa”
Durante a entrevista, o engenheiro defendeu a geração hidrelétrica como uma importante fonte de energia para o país. Ele argumentou que a necessidade de geração permanece mesmo quando determinado empreendimento não é construído.
“Se não deixarem construir uma usina hidroelétrica, por qualquer razão, tem que saber que essa energia vai ser gerada por alguém. Alguém vai gerar”, afirmou.
Pugnaloni também comparou a geração hidrelétrica com as usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis, defendendo que a geração a partir dos recursos hídricos apresenta vantagens ambientais e econômicas.
Potencial brasileiro
Outro ponto destacado pelo engenheiro foi o potencial hidrelétrico ainda disponível no Brasil. Segundo Pugnaloni, o país possui uma das maiores reservas de potencial hidrelétrico remanescente do mundo.
Na avaliação dele, o aproveitamento desse potencial passa necessariamente pelo diálogo com os povos indígenas e pelo respeito às questões ambientais.
“Se a gente não se entender com os índios, a gente não constrói. Se a gente não respeitar o meio ambiente, a gente não aproveita todo esse potencial”, declarou.
Participação indígena nos resultados
Pugnaloni também falou sobre os acordos que, segundo ele, foram estabelecidos com as comunidades indígenas envolvidas nos projetos.
De acordo com o engenheiro, os compromissos foram formalizados e preveem participação das comunidades nos resultados dos empreendimentos, com percentuais que, segundo ele, variam conforme cada usina.
“Nosso compromisso está firmado em escritura, em cartório. São 3%, 3,5%, 5%, conforme a usina, do lucro líquido”, afirmou.
Ele citou ainda uma estimativa feita em 2012 para quatro usinas, que, segundo seu relato, poderia representar aproximadamente R$ 112 mil mensais às comunidades. Pugnaloni afirmou que, considerando os valores atuais, esse montante poderia ser significativamente maior.
A proposta, segundo ele, é permitir que as comunidades indígenas tenham uma fonte própria de recursos e maior autonomia para atender necessidades relacionadas à saúde, transporte e outras áreas.
“Eles têm muito para nos ajudar”
Além da questão econômica, Pugnaloni defendeu uma relação mais próxima entre empreendedores e povos indígenas.
Para ele, as comunidades tradicionais possuem conhecimentos importantes sobre plantas, natureza, clima e outros aspectos que podem contribuir para a sociedade.
“Eles têm muito para nos ajudar. Sem eles nós não conseguimos fazer o que nós precisamos”, afirmou.
A presença de Pugnaloni na Festa dos Povos Indígenas de Ipuaçu ocorre, portanto, dentro de uma relação profissional que, segundo ele, já dura mais de uma década. A participação no evento também reforça a aproximação entre sua atuação no setor energético e as comunidades Kaingang e Guarani da região.
Sobre Ivo Pugnaloni
Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni é engenheiro eletricista e de telecomunicações e possui trajetória profissional ligada ao setor energético. Foi diretor de Planejamento da Copel e presidente da Copel Distribuição, além de atuar na área de projetos de geração de energia.
É fundador da Enercons e teve papel na criação da ABRAPCH. Documentos públicos também registram sua atuação técnica em projetos de pequenas centrais hidrelétricas no Oeste de Santa Catarina.









