A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em conjunto com clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino, aprovou dez alterações nas regras de arbitragem. As medidas já começam a valer nas principais competições nacionais e buscam reduzir o tempo perdido durante as partidas.
As mudanças também serão adotadas nas Séries C e D, na Série A1 do Campeonato Brasileiro feminino e na Copa do Brasil.
Meta é aumentar quase seis minutos de jogo
Segundo estimativa da CBF, as novas regras podem acrescentar, em média, 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida. Em determinados jogos, esse ganho pode chegar a 6 minutos e 22 segundos.
O cálculo foi baseado em um estudo da empresa de dados Opta. Antes da pausa para a Copa do Mundo, a Série A apresentava média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo.
Por outro lado, a Fifa estabelece como referência pelo menos 60 minutos de bola rolando. Entre as principais ligas europeias, França e Alemanha registram as maiores médias, chegando a 56 minutos e 17 segundos.
Veja as principais mudanças
As dez alterações estabelecem limites para ações durante as partidas e também ampliam a atuação da arbitragem e do VAR:
- Goleiros: terão oito segundos para repor a bola quando estiverem com ela nas mãos. O descumprimento resultará em escanteio para o adversário.
- Laterais: o jogador terá cinco segundos para realizar a cobrança. Caso ultrapasse o limite, a posse será invertida.
- Tiro de meta: a cobrança deverá ser feita em até cinco segundos após o apito do árbitro. Se houver atraso, será marcado escanteio para o adversário.
- Substituições: o atleta substituído terá dez segundos para deixar o campo. Se exceder o tempo, o jogador que entraria deverá esperar um minuto para participar da partida.
- Atendimento médico: jogadores atendidos dentro do campo terão de permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar.
- Atendimento ao goleiro: após o reinício, um jogador de linha indicado pelo treinador ou capitão deverá cumprir o período de um minuto fora.
- Comunicação com a arbitragem: apenas o capitão poderá se dirigir ao árbitro. Se o capitão for o goleiro, um jogador de linha será designado para essa função. O descumprimento pode gerar cartão amarelo.
- Protocolo Vini Jr.: cobrir deliberadamente a boca durante uma discussão com outro jogador, dificultando a leitura labial, poderá resultar em cartão vermelho, independentemente do conteúdo da fala.
- Segundo cartão amarelo: o VAR poderá revisar uma decisão que resulte em expulsão e, caso seja identificado um erro, o cartão poderá ser retirado.
- Escanteios: a partir de 2027, o VAR poderá revisar escanteios concedidos de forma equivocada quando a jogada resultar diretamente em gol ou pênalti.
Nove regras já entram em vigor
Das dez mudanças aprovadas, nove passam a ser aplicadas imediatamente nas competições contempladas pela decisão. A exceção é a possibilidade de revisão de escanteios pelo VAR, prevista somente para 2027.
As leis do futebol são estabelecidas pela International Board, entidade responsável por definir, regulamentar e atualizar as regras da modalidade.
CBF busca partidas mais dinâmicas
A principal intenção da CBF é tornar os jogos mais fluidos e diminuir as interrupções. Para Netto Góes, diretor de Arbitragem da entidade, a aplicação das novas normas dependerá de critérios uniformes e da preparação adequada dos árbitros.
Além disso, clubes e jogadores terão papel importante durante o período de adaptação. A expectativa é que a redução das paralisações aumente o tempo efetivo de jogo nas competições brasileiras.








