Mobilização começa no litoral e pode impactar logística portuária
Categoria cobra frete justo e aplicação de mecanismo de reajuste
Caminhoneiros de Santa Catarina decidiram aderir a uma greve nacional após sucessivos aumentos no preço do diesel. A mobilização começou a ganhar força no Litoral Norte, especialmente em cidades como Itajaí, Navegantes, Imbituba e Itapoá. Assim, a paralisação segue alinhada com outros polos portuários do país, ampliando o impacto no setor logístico.
Segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres de Navegantes, Vanderlei de Oliveira, lideranças nacionais tomaram a decisão de forma conjunta.
“Ficou deliberado que a greve nacional vai ser aderida em Itajaí, Navegantes, Imbituba e Itapoá. Isso está sendo organizado em conjunto com portos como Rio Grande, Paranaguá, Santos, Rio de Janeiro, Bahia e Suape”, afirmou.
A adesão regional se soma a um movimento que ganhou força no dia anterior. Na segunda-feira (16), lideranças de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul se reuniram no Porto de Santos e aprovaram a paralisação em assembleia — na ocasião, ainda sem data definida.

Alta do diesel e frete defasado impulsionam paralisação
De acordo com representantes da categoria, o principal motivo da greve envolve o aumento do diesel sem reajuste proporcional no valor do frete. Ademais, os caminhoneiros afirmam que a situação compromete diretamente a sustentabilidade da atividade. “O diesel subiu e o frete não acompanhou. Essa é a questão nacional”, destacou Vanderlei.
Além disso, a categoria cobra a aplicação do chamado “gatilho do frete”, mecanismo criado após a greve de 2018 para garantir reajustes automáticos sempre que o combustível sofre aumento. Entretanto, segundo os profissionais, o governo não aplica essa medida. “A reclamação maior é que o gatilho do diesel no frete não foi acionado pelo governo. Esse é um dos pivôs da greve. Além disso, há empresas pagando abaixo da tabela mínima”, completou.
Entidades reforçam apoio e alertam para possível ampliação
A Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga informou que a paralisação ocorre de forma organizada e legítima. Assim, a entidade acompanha o movimento e não descarta sua ampliação caso não haja resposta das autoridades. “Estamos acompanhando toda essa situação e acreditamos que seguiremos o mesmo caminho da Baixada Santista. A categoria está unida e não pode mais trabalhar no prejuízo”, afirmou o diretor Sérgio Pereira.
Além disso, a entidade destacou que o movimento busca melhores condições de trabalho, frete justo e redução dos custos operacionais. Portanto, o aumento recente de 11,6% no preço do diesel agravou o cenário e intensificou a mobilização nacional.

Falta de diálogo e prejuízo financeiro agravam cenário
Segundo representantes da categoria, a falta de diálogo com autoridades contribuiu diretamente para a decisão de paralisação. Ademais, os caminhoneiros afirmam que a greve surge como último recurso diante da ausência de soluções concretas. “Infelizmente, chegamos a este ponto porque nossas reivindicações não têm sido atendidas. A categoria não deseja parar, mas essa se torna a única alternativa para sermos ouvidos”, informou a entidade.
Enquanto isso, parte dos profissionais já reduziu suas atividades devido ao aumento dos custos operacionais. Em alguns casos, segundo lideranças, manter o caminhão parado tornou-se mais viável do que operar com prejuízo. “Cada operação tem características próprias, mas a estimativa geral aponta para um reajuste entre 10% e 12% no valor do frete”, afirmou Sérgio Pereira.
Greve deve iniciar oficialmente nesta semana
A categoria começou a organizar a paralisação nesta terça-feira (17), após deliberar pela medida em assembleia. Assim, o movimento está previsto para iniciar oficialmente nesta quinta-feira (19), a partir das 13h. Em Itajaí, caminhoneiros já se concentram no posto Dalçoquio, no bairro Salseiros.
Portanto, a mobilização tende a impactar diretamente o transporte de cargas, especialmente em regiões portuárias. Enquanto isso, lideranças aguardam avanços nas negociações para evitar a ampliação do movimento em todo o país.




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